terça-feira, 27 de janeiro de 2015

                                    Forma promiscua de visão

 Aqueles que ainda se preocupam em definir a fotografia como  uma arte estão sempre a tentar demarcar posições. Mas isso é impossível: qualquer tentativa para restringir as fotografias a certos temas ou  certas técnicas, por mais frutuosas que se tenham revelado, está inevitavelmente condenada ao fracasso.
Com efeito, a fotografia é, pela sua própria natureza, uma forma promiscua de visão e, em mãos talentosas, um meio infalível de criação.
  Como John Szarkowski observa, "um fotografo com habilidade pode fotografar bem qualquer coisa"




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Um momento


A força de uma fotografia consiste em conservar disponíveis instantes que o fluxo normal do tempo imediatamente substitui.



terça-feira, 7 de maio de 2013


1. Por que você escolheu a fotografia de casamento?
Esta talvez é a pergunta mais importante. Um fotógrafo que escolhe fotografar casamentos apenas por ser uma área lucrativa da fotografia não seria por mim o escolhido. É preciso se dedicar para que o trabalho seja diferenciado. E só dedica quem gosta daquilo que faz. Quem não gosta do que faz sempre apresentará um trabalho mediano.
2. O que você faz que ninguém mais faz?
É uma forma super direta e eficaz de fazer com que o fotógrafo apresente os seus verdadeiros diferenciais em relação a concorrência.
3. Posso ver seu portfólio?
Além de pedir para ver o seu portfólio, eu só contrataria um profissional que tivesse me apresentado ao menos um álbum do mesmo casamento do início ao fim. É assim que se mede consistência. É muito fácil apresentar fotos boas em uma coletânea com vários casamentos.
4. Se você adoecer ou morrer, quem fará meu casamento?
Simples. Você estará se precavendo pois acidentes acontecem e para morrer basta estar vivo. É preciso ter um plano B pois casamento é um só.
5. Qual o maior desafio que você já enfrentou em um dia de casamento?
Esta é uma forma de saber como o profissional se porta diante de pressão. Fotografar casamento é trabalhar sob pressão. Não há uma segunda chance. O perfil do fotógrafo de casamento exige que ele saiba improvisar e que seja criativo a ponto de ter mais de uma solução para eventuais problemas.
6. Se sua câmera estragasse no dia do meu casamento o que você faria?
Alguns fotógrafos não possuem uma segunda câmera de backup. Eu vejo isso todos os dias. Se a câmera estraga, quebra ou trava você ficará sem as fotos do seu casamento.
7. Há quanto tempo você está no mercado e quantos casamentos já fotografou?
Apesar de experiência não ser tudo, esta é uma forma de se certificar que o fotógrafo não é marinheiro de primeira viagem. A maturidade e experiência é de cada um. Ela varia de fotógrafo para fotógrafo. Eu pessoalmente evitaria, hoje, fotógrafos com menos de 15 casamentos. A não ser que fosse um preço mais baixo e que eu não pudesse pagar alguém com mais experiência. Daí sim eu correria este risco.
8. Como funciona seu sistema de cópias de segurança (backup)?
Há fotógrafos que até hoje fazem backups em DVD. Uma mídia em desuso e com com menor durabilidade que os discos rígidos. Há outros que nem backup possuem, pasmem! Se o fotógrafo se enrolar na hora de responder sobre o funcionamento de seu sistema de backup, corra. Eu contrataria apenas fotógrafos que tivessem duas cópias de segurança em HD (armazenadas em locais distintos) e além disso uma cópia de trabalho. Isso é muito sério gente!
9. Por quanto tempo você fotografará no dia do evento?
Há fotógrafos que limitam o tempo no dia do evento, outros não. Há fotógrafos que cobram hora extra e há outros que não fotografam a recepção. O importante é que você não seja surpreendido no dia do seu casamento que é para ser um dia de alegria e não de surpresas desagradáveis.
10. É possível ter minhas imagens em alta resolução?
Não contrate um fotógrafo que não lhe dê a opção de comprar os arquivos em alta resolução. Trata-se da história da sua vida e com estes arquivos em mão, você terá a tranquilidade de ter as fotos impressas no dia e hora em que precisar. A gente nunca sabe se este fotógrafo ele vai ter suas imagens sendo que pela legislação brasileira só é preciso guardá-las por 5 anos. Depois ele tem direito legal de apagá-las.
Lembre-se, contratar um fotógrafo para seu casamento é decidir quem vai contar parte da sua história de vida para as gerações que ainda estão por vir. Seus filhos e netos. Você também só terá uma chance. Uma única chance de escolher o fotógrafo certo.
Focus Escola de fotografia –  http://www.focusfoto.com.br

terça-feira, 23 de abril de 2013

Um pensamento.


A realização de exposições de fotografia tornou-se uma actividade dos museus tão característica como montar exposições individuais de pintura.
 Mas um fotografo não é um pintor, já que o seu papel é escasso em grande parte da actividade fotográfica séria e virtualmente irrelevante em todos os usos vulgares. na medida em que o tema fotografado nos interessa, esperamos que o fotografo tenha  presença extremamente discreta.  Assim o sucesso  do foto jornalismo reside na dificuldade em distinguir o trabalho  superior de fotografo do de um outro, excepto se um deles tiver monopolizado um tema em particular. Estas fotografias têm poder como imagens (ou copias) do mundo, não da consciência de um artista individual. E na grande maioria das fotografias que se tiram - para fins científicos e industriais, pela impressa, pelos militares e policia ou pelas famílias -, nenhuma marca da visão pessoal de quem estiver atrás da câmara interfere com



quinta-feira, 19 de abril de 2012

As marcas

Depois de estar algum tempo, como se estivesse a tentar encontrar algo que já  tinha na minha frente, e só eu não via , dei por mim a pensar se quero continuar a trabalhar nesta arte a que  convencionaram chamar "fotografia".Gostava que a vida fosse justa , mas isso todos sabemos que não é, não é quando nos dizem que temos um trabalho muito bom, ate bom demais ( falsa modéstia) para o que se pretende mas há um senão: "O senhor não tem material como os outros fotógrafos, não usa a marca Nicon ou Canon, assim pode parecer mal aos nosso clientes porque estão habituados a verem os fotógrafos de renome com esses equipamentos, sinto muito mas assim não podemos assumir nenhum compromisso consigo, lamentamos.
Chegamos aqui ,as aparências são tudo mesmo que não se saiba o que é um obturador ou um diafragma ou mesmo o numero guia do flash, não faz mal porque é uma Nikon  ou, uma Canon.
Eu por mim vou continuar a fazer fotos com a minha velhinha Lumix Z20, para quem gostar de imagens com olhos de ver e não de imagens com olhos de marca.



terça-feira, 20 de março de 2012

Lixo e coisas estranhas com pretensões á sofisticação



A fotografia é o veículo mais bem sucedido do gosto modernista na sua visão pop, com o seu empenho em desmistificar a alta cultura do passado (concentrando-se em fragmentos, lixo, coisas estranhas, sem nada excluir), cortejando conscientemente a vulgaridade, com se a sua afeição pelo Kitsch, sua capacidade para conciliar a sua sobranceria pseudo-radical em relação à arte como actividade reaccionária, elitista, pretensiosa, falsa, artificial, desligada das verdades mais evidentes da vida quotidiana, e com a sua transformação da arte em documento cultural. Ao mesmo tempo, a fotografia assumiu gradualmente todas as ansiedades e consciências de si da arte modernista clássica. Muitos profissionais receiam agora que esta estratégia populista tenha afinal,  ido longe demais e que o  publico esqueça que a fotografia é, afinal uma actividade nobre e elevada: em suma, uma arte. Até porque a promoção modernista da arte naive tem sempre um trunfo implícito: que não se deixem de respeitar as suas pretensões ocultas de sofisticação.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pensamento

Por vezes dou comigo a pensar, que fazer com algumas fotos que tenho no arquivo!?
Umas vezes apetece-me simplesmente apaga-las, outras vezes, fazer com que não se pareçam fotografias, ou ainda como muitas vezes dou comigo a pensar porque foi que fotografei daquela maneira aquele assunto? Fico a olhar as fotos e descubro que fiz porque gostei e pronto não tem mais explicação. Fiz porque naquele momento era assim que me sentia, era assim que aquele assunto me afectava, pelo momento e pelos sentimentos agi a pronto esta feito.
Não quero sentir mais nada que  a sublime sensação de poder que a fotografia me dá quando faço parar o tempo naquele momento que só eu controlo quando estou com a câmara. Depois com outro poder e com todo  o tempo do mundo faço de alquimista, e continuo a alterar o tempo que controlei, criando novos mundos novas visões que o tempo por si só não dá.

   


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fotografar pessoas:

Segundo Arbus, fotografar pessoas é necessariamente «cruel», «mesquinho». o importante é não hesitar.

»A fotografia era como que uma autorização para ir onde quisesse e fazer o que me apetecesse», escreveu Arbus.
a câmara é uma espécie de passaporte que aniquila as fronteiras morais  e as inibições sociais, libertando o fotógrafo de qualquer responsabilidade para com as pessoas fotografadas. Toda a questão reside em que fotografar pessoas não é intervir nas suas vidas mas apenas visita-las.


Modelo :  Luis Simões
   Produção : DA- Produções
Fotografia :José Garnacho



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Todo o caminho da serra é um jardim, onde a natureza e a 
arte maravilhosamente se combinam, o mais belo
 passeio que se pode imaginar." 
Hans Christian Andersen
                            

                                                                                                                     Serra da Estrela

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Onde existe luz, é possível fotografar."
Alfred Stieglitz



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Emmet Gowin

A fotografia é um instrumento que serve para lidarmos com coisas que todos conhecem mas a que não prestam atenção. As minhas fotografias pretendem representar algo que vocês não vêem.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Boudelaire - Arte / Natureza

(...) surgiu uma nova indústria que contribui bastante para confirmar a estupidez na sua fé e para arruinar o que poderia ter restado do divino no génio francês. Bem entendido, a massa idólatra postulava um ideal digno de si e apropriado à sua natureza. No que se refere à pintura e à escultura, o  credo generalizado do público sofisticado, sobretudo em França (...) é o seguinte: «Eu creio na Natureza e não creio senão na Natureza (há boas razões para isso). Creio que a arte é e não pode ser senão a reprodução exacta da Natureza(...) . Por isso a indústria que fosse capaz de dar um resultado idêntico à Natureza seria a arte absoluta.» Um Deus vingador satisfez os desejos desta multidão. Daguerre foi o seu Messias. E agora diz a si mesma: «Já que a fotografia nos dá todas as garantias desejáveis de exactidão (acreditam deveras nisso, os insensatos!), a arte é a fotografia.» A partir desse momento, a sociedade imunda precipitou-se, como Narciso, a contemplar a sua trivial imagem no metal(...). Algum escritor democrata deve ter visto nisso um meio barato para disseminar entre o povo a aversão pela história e pela pintura (...).

-Boudelaire.   



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Descanso

Desta vez, consciente ou não,vou desabafar um pouco.
Recebi um "mail" de um amigo, amigo que eu ainda tenho como grande Amigo, apesar de já não ter a mesma certeza de continuar a ser um grande amigo, para ele.
Bom, quando as coisas nos ultrapassam e nós não queremos assumir que temos de mudar,que temos de tomar as nossas próprias decisões, e ficamos confortavelmente como antes, só porque isso nós já sabemos como é, ficamos irremediávelmente afastados da vida real quando pensamos que não temos mais nada a ouvir dos Amigos e nos refugiamos do magnifico"vou pensar em mim",ai o melhor é dizermos aos nosso amigos e companheiros de aventuras sejam elas qual forem : -Meus amigos, esqueçam que eu existo e pensem em vos.
E assim nasce mais um grande buraco negro na nossas existências.
O meu desabafo é mais grito aos meus amigos que ainda o são.
Não desistam dos vossos sonhos só por não verem a luz no fundo do buraco, é esse buraco que nos criamos para depois nos podermos esconder nele com desculpas de quem não quer mesmo mudar.

A esse meu grande Amigo:

"Mas que não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera
Olhos fitos em rútilia quimera
Andava atrás de mim... e não me via!"
(Florebela Espanca)


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Assunto





Tema ou assunto
Escolher algo para fotografar é fácil, tão fácil que muitas vezes fotografamos mais do que realmente interessa. Às vezes achamos que tem interesse, mas depois de vermos a fotografia já não achamos tão interessante. Porquê? Porque a maior parte das vezes estão mais coisas ou objectos a interferir com o tema de interesse. A nossa atenção visual é muitas vezes absorvida pelo nosso tema, por exemplo uma pessoa, mas esquecemos que à volta estão outras coisa que perturbam ou competem com o nosso assunto. Onde colocamos, que ângulo de visão escolhemos, o formato, o 1º plano ou o fundo são elementos que vão contribuir para a avaliação final da nossa imagem.
Tudo que fotografamos tem de estar na área de enquadramento. O problema maior surge quando coisas, objectos, manchas, cores competem visualmente com o nosso tema. È preferível fotografar um só tema, assunto ou objecto. Isolar é o acto mais importante, um pássaro, uma pessoa, uma paisagem.http://www.ondequeresfotografar.com

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma câmara fotográfica

Uma câmara apazigua a ansiedade que os obcecados pelo trabalho sentem por não trabalharem quando estão de férias e sentirem compelidos a divertiren-se.
Têm assim qualquer coisa para fazer e que se assemelha a uma reconfortante imitação do trabalho: tirarem fotografias



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ambivalência

A história da fotografia revela uma longa tradição de ambivalência no que que se refere à sua capacidade de militancia: tomar partido é sentido como algo que leva à destruição da eterna suposição de que todos os assuntos são válidos e interessantes.
Mas aquilo que é uma excruciante ideia de minúcia, destinada a permitir ao passado silencioso falar por si próprio, com toda a sua irresolúvel complexidade, torna-se - quando generalizada na fotografia - a cumulativa anulação do passado ( no próprio acto da sua preservação), a elaboração de uma realidade nova e paralela que torna o passado imediato e salienta a sua cómica ou trágica ineficiência, que investe a especificidade do passado de uma ilimitada ironia, e que transforma o presente em passado e o passado naquilo que passou.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

"Weston"

Embora a maior das pessoas que tiram fotografias se limitem a repetir as noções de beleza aceites, os profissionais com ambições geralmente pensam que estão a desafiá-las.
De acordo com heróicos modernistas como Weston, a aventura dos fotógrafos é elitista, profética, subversiva e reveladora. Os fotógrafos proclamaram que estavam a realizar a tarefa «blakeana»de purificação dos sentidos, «revelando ás pessoas, o mundo vivo que as rodeia», como Weston descreveu o seu próprio trabalho, «mostrando-lhe o que os seu próprios olhos eram incapazes de ver».





sábado, 29 de outubro de 2011

Citação.

"Desejei captar toda a beleza com que me deparasse e, por fim, esse desejo foi satisfeito."

_Julia Margaret Cameron



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Simplicidade

A linguagem com que as fotografias são geralmente avaliadas é extremamente pobre.
Por vezes é parasitaria do vocabulário da pintura: composição, luz, etc.
Com maior frequência consiste nos juízos mais vagos, como quando as fotografias são elogiadas por serem subtis, ou interessantes, ou vigorosas, ou complexas, ou simples, ou ilusoriamente simples,
Esta pobreza de linguagem não é fortuita: digamos que se deve à ausência de uma rica tradição de critica fotográfica. É algo de inerente à própria fotografia sempre que é entendida como uma arte.